Já há muitos anos que queria fazer uma viagem até ao país dos meus antepassados, até que aconteceu. Marquei a viagem com destino a Atenas e, depois, viajar por outras ilhas.
Fui com uma amiga que me acompanha nas viagens que tenho feito e lá viajámos em direção ao país que inventou a democracia, do qual eu tenho origens e tinha muita curiosidade em conhecer. Fazia parte do meu imaginário há muitos anos. Aconteceu em 2017.
Chegámos a Atenas de manhã cedo, fomos para o hotel e ficámos em Atenas um dia, que deu para ver algumas coisas. É uma cidade simpática, mas não tem muita beleza. Os monumentos emblemáticos estão muito bem cuidados. São um povo simpático e hospitaleiro. Comemos em vários restaurantes e, ao cair da noite, fomos para o aeroporto, a fim de apanharmos o avião até a uma das ilhas. Fomos para Rhodes, uma ilha bonita, mas muito turística. Aliás, a exploração das unidades hoteleiras é feita por estrangeiros, nórdicos, russos e muitas outras nacionalidades. Tem um mar lindo e água quente.
De Rhodes fomos até Symi, outra ilha bonita. Aqui já se nota a essência da ilha: é de pescadores. Embora haja bastantes turistas, eles ali vivem da pesca. Symi é uma ilha muito diferente de Rhodes, mais pequena, mais tranquila e com uma identidade muito própria. Antigamente, a ilha viveu muito da pesca das esponjas e da construção naval, o que trouxe alguma riqueza e explica as bonitas casas que se veem nas encostas, todas muito coloridas e construídas em estilo neoclássico.
Há também em Symi um lugar muito especial, o Mosteiro de Panormitis, dedicado ao Arcanjo Miguel. É um local de grande devoção, onde muitas pessoas vão fazer pedidos e promessas. Existe uma tradição muito bonita: as pessoas fazem uma promessa ao Arcanjo Miguel, pedem uma graça e, se o pedido for atendido, regressam mais tarde ao mosteiro para cumprir aquilo que prometeram. É um lugar de peregrinação muito importante e, mesmo para quem não é religioso, sente-se ali uma atmosfera diferente, de respeito e de fé.
Lembro-me de achar interessante esta tradição das promessas e de perceber como aquelas pessoas mantêm uma ligação muito forte com o santo. Há qualquer coisa de muito humano nisso: pedir quando precisamos de ajuda e voltar para agradecer quando a vida nos concede aquilo que desejávamos.
Symi ficou-me na memória precisamente por isso: pela beleza das suas casas, pelo mar, pelos pescadores e por aquela sensação de ainda existir ali uma vida mais ligada às tradições e às pessoas, apesar dos muitos turistas que entretanto chegaram.
No barco que me levou até Symi iam muitas pessoas de vários países. Como gosto de conversar e conhecer pessoas, fui interagindo com algumas delas e, numa dessas conversas, uma senhora contou-me que ia até Panormitis para cumprir uma promessa. Fiquei muito curiosa e perguntei-lhe sobre essa tradição.
Panormitis é um lugar muito especial em Symi, onde se encontra o Mosteiro do Arcanjo Miguel. É um local de grande devoção, onde muitas pessoas vão fazer pedidos e promessas. Quando a graça que pediram é concedida, regressam mais tarde para cumprir aquilo que prometeram.
Fiquei tão interessada que pedi à minha amiga para irmos também a Panormitis. Mas ela não aceitou, porque a subida daquela montanha era difícil e não se sentia com disposição para fazer aquele percurso. Fiquei com pena de não ter ido, porque aquela conversa no barco tinha despertado em mim uma grande curiosidade.
São estas pequenas coisas que muitas vezes ficam de uma viagem: uma conversa com alguém que nunca mais vemos, uma história que nos é contada e que, de repente, passa a fazer parte das nossas memórias.
Symi ficou-me na memória pela beleza das suas casas, pelo mar, pelos pescadores e também por aquela história da senhora que ia cumprir a sua promessa. Ainda hoje penso que teria gostado de ter ido até Panormitis.
Entretanto, no ano seguinte, voltei a Atenas. Desta vez, a viagem levou-nos até Creta.