quarta-feira, 15 de abril de 2015

Pela madrugada



Acabei de fazer um bolo tipo mármore… Só alguém que não tivesse nada para fazer se lembraria de, às duas e tal da manhã, fazer um bolo. Não é o meu caso, porque tenho inúmeras coisas para fazer, sobretudo porque estamos a chegar ao Natal e, nesta época, há sempre tanto para tratar…

Este ano estou triste. Os meus filhos estão fora e, mais um ano, terei de ir passar o Santo André com a minha irmã. Desta vez não me apetece ir, mas também não me apetece passar aqui sozinha. Logo encontrarei uma solução…

Cada ano que passa gosto menos do Natal, sobretudo desde que fiquei sozinha. O Toninho era um adepto incondicional do Natal e isso acabava por me contagiar. A alegria que colocava em tudo era contagiante. Quando chegava o momento dos presentes, tinha sempre uma surpresa para mim. Não se esquecia de ninguém; mesmo que chegasse fora de horas, lembrava-se sempre de um sobrinho ou de alguém que faltava.

Tenho tantas saudades desses tempos… Mas nada posso fazer, a não ser recordar os bons momentos que passámos juntos. Tivemos sempre aquela cumplicidade tão nossa. Infelizmente, partiu cedo demais.

Hoje, mais do que nunca, tenho saudades dele. Faz-me falta em todos os aspetos: nas longas conversas que tínhamos sobre as viagens que fez em Angola, sobre o tempo do serviço militar e sobre tantas outras histórias que gostava de contar.

Quando pegava na guitarra e começava a dedilhar uns acordes, acabávamos sempre a cantar juntos alguma canção. Sentados na sala, ficávamos horas a fio a cantar. E, se colocasse um som no DVD, então era certo: se fosse para dançar, rodopiávamos pela sala ao som de um semba, de um tango ou de um bolero.

Que saudades, meu Deus!

Foi pai, marido, amante e amigo. Tinha aquela frontalidade que lhe era tão peculiar, mas eu amava-o muito. Era sempre amigo do seu amigo, fiel a si próprio, como dizia a Fatinha: “Igual a ele próprio!”

Os filhos e a esposa eram sagrados, como ele dizia. Havia uma entrega total à família. Era assim que ele vivia e era assim que amava.

Fiquei de rastos quando partiu. Hoje estou mais recomposta e também mais conformada, porque o tempo acaba por nos ensinar que a vida é mesmo assim. Já consigo falar dele sem chorar, embora a saudade nunca desapareça.

Hoje completaria mais um ano. Não há um único dia em que não fale de ti, mesmo que seja apenas no pensamento. Apesar de já terem passado alguns anos, continuas sempre ao meu lado e ao lado dos teus filhos. Agora também ao lado das tuas netas, algo que tanto querias.

Tu sabes… A Íris e a Mila são duas jóias preciosas que os nossos filhos nos deram. A Íris falava — e ainda fala — muito do avô António. Gostava tanto que estivesses aqui para veres as tuas netas crescerem, para lhes ensinares a tocar viola ou piano, para partilhares com elas aquilo que sabias e, sobretudo, para lhes dares esse amor de avô que certamente terias para oferecer.

Mas o universo quis que partisses antes de elas poderem desfrutar da tua presença.

E é essa a parte que mais custa: saber tudo o que perdeste e tudo o que elas perderam.

Continuas, no entanto, presente nas nossas memórias, nas histórias que contamos, nas músicas que ouvimos e em tantos pequenos gestos do dia a dia.

A vida continuou, como tinha de continuar, mas uma parte de mim ficou contigo.

Hoje faço um bolo às duas da manhã, penso em ti, sorrio com algumas das nossas histórias e, ao mesmo tempo, sinto aquele aperto no coração que só a saudade sabe dar.

Onde quer que estejas, espero que saibas que continuas muito amado e que nunca serás esquecido.

Tenho saudades tuas, Toninho. Muitas. ❤️


segunda-feira, 30 de março de 2015

O pôr do Sol




O sol  põe-se devagar
incendeia o céu com faiscantes
sombras  de vermelho e laranja

Á distancia aparecem  as nuvens  escuras 
Acima do horizonte vem os ventos mornos do verão

Brevemente o Sol dará a passagem à noite
E com ela virá o silêncio
Que pairará em todos  os lugares

Em noites de lua cheia
A noite torna-se clara
Não há luar como o das noites calmas de verão






segunda-feira, 9 de março de 2015

Noticia


Terça feira dia 3 de Março de 2015, acordei por volta das 04H15 da manhã estava a ter um pesadelo um acidente de carro tinha feito um morto, esse alguém era muito próximo de mim mas não sabia quem... fiquei assustada, não consegui adormecer mais, levantei-me tentei não fazer barulho para não acordar os que ainda dormiam, vim para a varanda sempre a pensar no pesadelo que tinha tido, entretanto as horas passam e está na hora de acordar os que tem obrigações, levar a minha pequenina à escola e a manhã passou, sempre com um mal estar devido ao sonho que tinha tido, à tarde depois das tarefas feitas fui para o sofá a fim de descansar um pouco mas não conseguia os pensamentos eram muitos... o telefone toca era o meu filho mais novo que está a milhares de km de mim e diz-me estar muito preocupado com dois amigos e sobretudo com o que leu em algumas mensagens postadas no facebook que lhe pareceram estranhas e que para ele não faziam sentido diz-me ele mãe por favor liga para este numero…. Liguei,…. Tocou tocou e ninguém atendeu, ele disse, deixa que vou saber melhor o que se passa… passados 3 minutos liga de novo a dizer mãe já sei o que aconteceu… o A matou a V e atirou-se da ponte, morreram os dois … não quis acreditar, disse-lhe: isso não é verdade… ele também incrédulo disse-me pois eu também não queria acreditar mas já tenho a confirmação… está nos jornais digitais, nas TV's e nos murais de  amigos que me são mais chegados…

Depois desta noticia fiquei completamente de rastos… não era possível que aquilo estivesse a acontecer… mas aconteceu de fato.

Explicações para este acto tresloucado ninguém tem, só alguém completamente fora de si e com muita raiva/mágoa pode cometer, e mesmo assim nada justifica, ficamos todos devastados com esta tragédia, ninguém consegue ficar indiferente a isto.
Uma retrospectiva no tempo… o A era um menino vinha cá a casa mais o meu filhote brincavam juntos adorava que eu fizesse sonhos para ele comer…. Nem que fosse a qualquer hora pedia… vá lá faça uns sonhos para eu e  o S comermos… mesmo que eu estivesse cansada da jornada de trabalho conseguia e fazia com prazer para dar sonhos aos rapazes para comer… o tempo passou… tornaram-se homens, namoraram tiveram deceções o A sempre querido e amoroso com toda a gente, tinha um sentido de humor enorme, dava força aos amigos quando tinham problemas a V uma menina ainda quando a conheci, namorava com o A, nunca vi que houvesse algo de errado naquele lindo casal, tudo parecia perfeito tiveram um filhote lindo que ficou órfão...

Onde quer que estejam A e V encontrem a paz que não encontraram no plano terreno

sexta-feira, 6 de março de 2015

Amsterdam

Amsterdam é de fato uma beleza de cidade, singular, pelo muito que nos oferece, uma cidade muito culta, bem desenvolvida, com muitos museus, estive 3 dias fantásticos em Amsterdam, foram poucos porque a quantidade de museus, jardins, parques, canais são imensos e para apreciar com calma e tempo gastaria mais que uma semana, foram intensos estes dias, éramos 5 amigas que decidimos ir até à Veneza do Norte da Europa, viajamos pela Easyjet uma viagem super tranquila.

Falando dos museus gostei muito do Van Gogh  é extraordinário o bilhete é um pouco caro mas quem admira este grande pintor não fica desiludido, sai com a sensação de querer lá ficar para melhor apreciar as grandes obras deste génio da pintura.

Não encontrei filas, havia pouca gente, talvez a época do ano também tivesse favorecido, fui em Fevereiro e o tempo não era dos melhores, mas Amsterdam é assim mesmo, ora chove ora faz sol portanto previnam-se com capas de chuva porque a qualquer momento ela cai.

Palácio Real uma maravilha

Red  Light ou Bairro da Luz Vermelha  uma novidade

Vondel Park considero uma visita obrigatória, e depois o Rejiksmuseu que fica logo ali pertinho

Recomendo uma visita à Casa de Ann Frank, vale a pena pela história, cheguei lá e não havia filas conforme apregoam aqui pela internet, aliás no dia em que lá fui havia pouca gente e o custo de entrada é de 9,00 € e não de 29,00 conforme li em alguns sites da Internet, não confiem em toda a informação fornecida por sites feitos para induzir as pessoas a comprar os bilhetes on line.


Os passeios pelos canais também ficam mais baratos se comprarem em grupo e há vários preços consoante as rotas perguntem nos quiosques que há na praça Dam, perto do Mercado das Flores e também nos locais onde se apanham os barcos que é  na Central Station, mas há também algures em vários pontos de canais quiosques onde os bilhetes são mais baratos o que encontrei foi de 10,00, a oferta é muita   e também nas lojas que vendem  tickets, não comprem pela Internet pois  fica mais caro, uma hora de passeio com tradução em português.

Estou a dar estes alertas porque fui induzida em erro.

As entradas nos museus variam, o Vang Gog é de 16,00 Euros e de fato vale a pena pelo muito que existe das obras deste grande pintor.

Museu de Amsterdam 12,00, tem muito material histórico e dá-nos uma visão do que foi e é Amsterdam, é uma viagem no tempo, há imensos filmes em que a história é contada, adorei, podem levar máquina fotográfica  pois ali não há proibições.

Para quem ficar mais que 3 dias recomendo a compra do cartão card, para além das viagens também tem descontos nas entradas dos museus bem como nas igrejas ortodoxas e sinagoga.

Para entrar na Igreja Católica não se paga, há uma mesmo no centro da cidade  que é a Igreja de S. Francisco Xavier, linda maravilhosa, muito bem cuidada a missa é às 12H00 durante a semana e está aberta.

A Sinagoga Portuguesa também recomendo abre às 10H00 e como é óbvio paga-se uma entrada de 15,00 acho muito caro, mas vale a pena.

Consultem melhor os sites porque há algumas coisas que não são verdadeiras como todos nós sabemos a informação colocada na Internet muitas vezes  é falsa.

Visitem o Red Light, vale a pena à noite tem mais encanto, não se espantem com as moças das vitrinas, elas estão a trabalhar e como tal merecem o nosso respeito, lindas mulheres vale mesmo a pena gastar um tempo e visitar nos períodos diurno e nocturno são dois momentos bem diferentes, não precisam de ter receio de ir lá durante a noite aquilo é seguro, tentem não tirar fotos às moças que estão nas vitrinas por respeito e também para não dar aso a que haja alguém que venha chamar a atenção ou até tirar a máquina, aqui recomendo algum cuidado.

Gostei imenso dos Coffe Shop pela musica animação e o respeito, achei piada quando o nosso grupo entrou, a malta mais jovem que estava numa mesa ao lado olharam muito espantados para um grupo de mulheres maduras a entrar naquele local começaram a rir provavelmente pensando que íamos fumar alguma coisa e talvez as reacções que pudéssemos eventualmente ter... enganaram-se, a ideia de irmos até lá foi apenas e só para beber um copo e como ficavam todos próximos do nosso hotel entramos no que achamos mais simpático, outro alerta que deixo é que não se pode fumar cigarros a não ser os deles com Canábis.

A vida em Amsterdam é cara, mas há locais em que se come bem e barato, é uma questão de olharem os menus colocados nas portas, desde 2,50 a 10,00 come-se bem, as bebidas sobretudo a cerveja e o vinho são caros, no centro não existem supermercados baratos considerei tudo muito caro,  mais um pouco distante do centro encontramos supermercados mais baratos, como a Hema e o Lidl, é tudo uma questão de organização.

Uma viagem a Amsterdam é algo de deslumbrante pelo muito que nos oferece.

Ficamos no centro, não precisamos de utilizar transporte porque as distâncias eram boas e só andando a pé é que se conhece bem a cidade.







segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Lembranças de infância

Lembranças de infância

Desde menina que me lembro de brincar na chuva de calções e descalça, a minha mãe ralhava e dizia... olha que te constipas... mas adorava aqueles momentos em que os riachos de água corriam sobre os meus pés...porque o tempo da chuva em Angola é quente e como tal não tinha frio.

Outra lembrança que me vem à memória era a fruta apanhada diretamente da árvore e comer desde goiaba, manga, maracujá, abacate bem madurinho sem necessidade de açúcar, vinguanguilas, loengos, nésperas, laranjas azedas.... silvestres, quando o café estava maduro e nas árvores acabávamos sempre por comer aqueles bagos doces...

Quando iamos à loja do Senhor Figueiredo eu e o meu irmão acabávamos sempre por nos sentar na beira do caminho e comer os abacates que caiam de maduro.

No tempo das mangas íamos apanhá-las quando havia muito vento e elas caiam ao chão, são os momentos bonitos que nos passam pela memória.

Nas férias grandes ou pequenas, inventávamos  campeonatos de basquetebol no quintal cujos cestos eram dois arcos de barris, juntávamos a malta toda fazíamos equipas completas e o jogo começava, com pontuação e tudo, até árbitro havia,  juntávamos grupos de miúdos, rapazes e raparigas para construir as equipas quem comandava era o meu irmão e até tinha jeito, o pior eram as lutas dentro do campo, tanta coisa boa que teve a minha infância...

Mais tarde na adolescência veio o desporto a sério, primeiro na Escola Industrial e mais tarde no Sporting Clube do Huambo, com algumas passagens pelo Mambroa, mas o meu clube era o Sporting, só podia ...o meu pai foi um dos melhores jogadores de futebol de Nova Lisboa, Meton Gerássimos Lychnos, ainda há amigos que se lembram dele e da maneira como jogava,  era um dos jogadores centrais.

Um dia foi convidado pelo Sporting Clube de  Portugal para fazer parte da equipa principal, os dirigentes do SCH decidiram que seria uma grande perda para clube, não deram a conhecer nada ao meu pai sobre o convite, quando  o meu pai soube desligou-se do clube, deixando de fazer o que mais gostava  jogar futebol, ...coisas da vida!!

A partir dessa altura o meu pai sentiu-se triste, gostava de ter conseguido ir mais longe, não por ser ambicioso mas sim por acreditar nele mesmo que podia enfrentar jogadores com outra preparação.

Tenho inúmeras lembranças, hoje conto muitas delas à minha princesa que adora ouvir estes relatos todos, porque são reais e ela conhece algumas pessoas.