segunda-feira, 6 de julho de 2026

 A minha mãe, pessoa doce, para mim a melhor e maior mãe do mundo.

A D. Olga era uma mulher guerreira. Lembro-me de a ver algumas vezes doente e deitada na cama. Pedia à Rosa para lhe fazer chá de barbas de milho. Tinha dores, mas não se queixava, e eu, ainda menina, só pedia a Deus que as dores lhe passassem. Também dizia para comigo própria: “Se a minha mãe morrer, quero morrer com ela.” Tal era o medo de ficar sozinha, instinto normal de uma criança em relação à mãe!!

Mas hoje não vou divagar sobre as coisas menos boas. A casa da D. Olga era um espaço onde o bairro inteiro gostava de estar, pelas conversas, pelas brincadeiras com os filhos — que éramos seis — e também onde se jogava a tudo: desde o ringue ou queimados, saltar à corda, jogar basquetebol, cartas, loto, etc.

Há passagens de que me lembro. Ela barbeava os senhores mais velhos do bairro que viviam próximos da nossa casa. Todos os fins de semana, lá ia o senhor Roque e também o avô Santos, e mais alguns que lhe pediam para os barbear. Nunca perguntei o porquê de ela ter de os barbear; eles pediam e ela fazia.

Para irmos às festas, as mães das nossas amigas só as deixavam ir se a minha mãe fosse. Caso contrário, o sábado era passado em casa.

Ensinou muitos rapazes do bairro a dançar, sobretudo o tango e a valsa. Ficava na sala a ensinar o Joaquim, o Valdemar e os nossos primos que queriam arranjar namoradas e só através da dança é que chegavam às miúdas. Coisas que só aconteciam no antigamente e talvez no nosso bairro, em que éramos uma família.

Quando chegámos a Portugal, e dada a facilidade com que ela fazia amizades, além de ser uma pessoa autêntica e genuína, começou a tomar conta dos bebés das raparigas que queriam sair à noite.

Enfim, a minha mãe era assim: de uma entrega ao próximo, uma pessoa alegre e pura. Eram essas as qualidades que sobressaíam de alguém como ela.

Era assim a D. Olga!!

Obrigada, querida mãe. Apesar de não estares entre nós, estás sempre presente nas nossas vidas e na vida dos teus netos, que nunca te esquecem.

A Iris conhece a tua história através de mim. Contei-lhe muitas histórias sobre a nossa vida em Angola.

Sem comentários:

Enviar um comentário