domingo, 15 de outubro de 2017

Sanzalangola



Creio que não estou longe da verdade, não me lembro do ano, era muito kandengue, tu lembras-te. E bebendo mais um copo...vamos então para este enorme Ondjango, e continuar as nossas histórias até o sono chegar... as palavras soltam-se e começam a fluir, já deste o mote e na sequência desse mote vou lembrar-me do Valdemar Bastos, quando o conheci como musico ele ainda era kandengue, a viola que ele tocava era maior que ele. Achei um pouco estranho aquele Kandengue andar já de viola grande na mão, coisa pouco comum naquela época e então foi assim... Numa passagem de ano o Mambroa, organizou um baile, é claro que tínha que haver um conjunto e Nova Lisboa naquela altura não tinha assim muitos e os que havia já estavam comprometidos com outros Clubes, tiveram que se socorrer de uns miúdos que tinham pedido um espaço no pavilhão para começarem a dar os primeiros toques na musica. Os miúdos eram Valdemar Bastos (Viola Solo), Lúcio, irmão dele que era (Viola Baixo), Zé Amado (Viola Ritmo) Tonito (Teclas) Zé Fotografo (Bateria) e o Liocha (Vocalista) que deram uma lição em que quando se quer fazer algo e se tem o dom faz-se mesmo e sai bem e foi realmente o que aconteceu. Nessa passagem de ano organizada pelo Mambroa (Benfica do Huambo) estes rapazes com grande empenho conseguiram fazer com que a o baile fosse um espectáculo memorável, tocaram bem, foi uma noite bem bonita, eu era kandengue na altura mas apreciei muito a forma como eles actuaram e olhando a esta distância no tempo, olho e vejo-os a todos no palco improvisado lá no Pavilhão com os seus instrumentos a tocarem as musicas que nos deliciavam a dançar... Durante um período e ainda bastante grande eles actuaram no Mambroa que promovia matinés dançantes ao domingo, o pavilhão enchia-se de rapazes e raparigas, que se divertiam e dançavam ao som do conjunto SO4H2, foram bons momentos que ali passei, pela alegria, pelo convívio por tanta coisa.... O Zé Fotografo a cantar Summertime, com aquela voz bonita que ele tinha, quando introduzia aqueles toques de bateria, era mesmo um castiço, o Lúcio com o ar dele muito sério não se ria, o Liocha esse cantava bem, qualquer musica na voz dele era linda tinha esse don, o Tonito era o teclas desenvolvia muito bem o talento que tinha nas teclas do seu orgão, posteriormente continuou mas gostava mais de tocar a sua guitarra a solo, o Zé Amado era um espectáculo a tocar ritmo, era rir com ele quando improvisava os seus acordes, Valdemar o mais novo de todos pois só tinha 13 anos sentia-se um pequeno rei no meio daquele grupo todo a tocar os seus lindos solos Venho aqui recordá-los com saudades dos momentos bonitos que me proporcionaram naquela época em que eu era apenas uma adolescente. Gostei de estar aqui um pedacinho a recordar um período bonito da nossa juventude, se não falasses do Valdemar Bastos, não me lembrava desta história... terei outras mas fica para mais tarde...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Aprendendo a ler

A minha mais jovem princesa já sabe ler, sempre gostou daa leitura e aos poucos aprendeu o alfabeto, agora que aprendeu a juntar as letras  descobre as palavras está a descobrir um mundo novo, fica feliz quando consegue ler uma frase inteira, soletrando silaba a sílaba já lê.

Ontem à noite disse:


Avó senta-te aí que hoje vou contar eu a história e assim foi

Pegou num livrinho a pouco a pouco foi lendo, é um mundo novo que se abre para ela,
Deus a abençoe sempre que dá mais um passo para o saber e o seu desenvolvimento.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A Escola e o primeiro dia de aulas a sério


Hoje a minha princesa começa mais uma etapa da vida dela, entra para o primeiro ano, a aprendizagem da vida começa agora.

Ainda cheia de sono com uma mochila quase maior que ela, toda arranjadinha disse que queria ir a pé, o pai foi leva-la.

Arranjamos o estojo dos lápis, canetas borrachas etiquetando tudo com o nome dela,
À minha princesa quero que a vida lhe sorria sempre, que o percurso seja feito com alegria de aprender a ler e a descobrir um novo mundo.



terça-feira, 6 de setembro de 2016

O Avô Miguel



O Homem que Abriu a Porta

No Bairro de São Pedro, em Nova Lisboa, onde as manhãs acordavam com o apito distante dos Caminhos-de-Ferro de Benguela, vivia um homem que parecia feito de outra matéria — mais leve, mais luminosa, mais humana. Chamava-se Miguel. Eu conheci-o quando ainda era criança, mas foi suficiente para perceber que havia algo nele que não se explica, apenas se sente: uma espécie de bondade que não precisava de palavras para se fazer notar.

Diziam que tinha sido educado num colégio de padres, em Malanje, e talvez fosse de lá que lhe vinha aquele porte sereno de quem conhece o silêncio e o respeito. Casou com a avó Lurdes depois de um namoro demorado, daqueles que crescem devagar, como mangueiras teimosas que procuram o sol até o encontrarem.

A avó Lurdes chegou a Nova Lisboa vinda de Teixeira de Sousa, com o coração cansado da separação do seu primeiro marido, António Santos. Aproximou-se da minha família como quem procura porto, e eu, com a minha tenra idade, tornei-me a sua escriba. Lia-lhe as cartas que vinham de todas as partes de Angola e ajudava-a a responder às que lhe pediam notícias, conselhos ou apenas lembranças.

Mais tarde chegaram as netas, Bela e Nela, e o filho Manuel Jacaré, vindos do Leste. A casa ganhou novos sons: risos de meninas, passos apressados, conversas longas ao final da tarde. O Manuel encontrou uma mulher e mudou-se para outra casa ali perto, levando consigo o pai, o antigo marido da avó Lurdes, cuja vida em Teixeira de Sousa já não lhe oferecia chão nem futuro. Abriram juntos um pequeno negócio e, entre altos e baixos, foram vivendo.

Até que, um dia, algo se quebrou. Nunca soube ao certo o quê. Talvez palavras mal ditas, zangas acumuladas, cansaços que não se confessam. Sei apenas que o avô António Santos, magoado e doente, abandonou a casa do filho e vagueou sem destino por alguns dias, como quem procura uma porta que já não sabe onde existe.

Encontrou-a, por fim, onde menos se esperava: na casa da ex-mulher.

Quando ele apareceu, frágil, quase um vulto do homem que fora, ninguém imaginou qual seria a reação do casal. A vizinhança preparou-se para o escândalo, para o julgamento. Mas o avô Miguel, com a sua quieta grandeza, apenas abriu a porta e disse que sim — que ali havia lugar, que ninguém seria deixado ao abandono enquanto ele tivesse mãos para ajudar e coração para acolher.

A avó Lurdes, com a mesma firmeza silenciosa, concordou. E assim, contrariando murmúrios, maledicências e moralismos, os dois acolheram o homem que um dia fizera parte da vida dela. Não por romance perdido, não por nostalgia, mas por algo infinitamente maior: humanidade.

O avô António Santos viveu ali o resto dos seus dias. Entre cuidados, pequenas rotinas, o carinho das netas e a dignidade que só quem é verdadeiramente bom sabe oferecer. Morreu amparado, e não sozinho — e talvez isso tenha sido o último gesto de justiça que a vida lhe concedeu.

Hoje, quando penso no avô Miguel, vejo-o ainda na porta daquela casa simples de Nova Lisboa, com o sol do fim da tarde refletido na camisa de trabalho. Um homem calmo, sem grandes discursos, mas com gestos que ficaram gravados na memória como se fossem páginas de um livro que nunca terminei de ler.

E percebo, agora adulta, aquilo que apenas intuía em criança:
há pessoas que não vivem para serem admiradas.
Vivem para ensinar — com exemplos.
Vivem para abrir portas.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Marrakeche o outro olhar

Marrakech  uma experiencia única!!
 Hoje dia 4 de marco de 2016 estou em Marrakech uma cidade de Marrocos, vim parar no coracao da medina onde tudo acontece aqui do terraco da riad oiço os sons que vem da praca mais famosa do mundo e em simultaneo oiço o som dos passarinhos que esvoaçam por aqui.

Um ambiente único é assim que vejo e olho tudo ao meu redor

Andar pelas ruas e becos desta cidade e uma autêntica aventura no meio  de motos bicicletas e carros é de fato viver noutra dimensão.
 
Agora estou a ver um passarinho poisado no muro deste terraço...
 
Cheguei no dia 1 e já vi imensas coisas desde o mais pobre ao mais rico, carros topo de gama como carroças puxadas por burros, motos, bicicletas enfim tudo o que tenha rodas circulas por esta cidade cheia de vida de cor e cheiros africanos.
 
O chá faz parte da boa convivência  neste mundo marroquino, em qualquer esquina há um bar onde se partilha a conversa com um bule de chá.

Uma cidade muito movimentada com dois lados da moeda, o lado dos ricos e o lado dos mais pobres.

O do lado dos mais pobres  o povo convive nas esplanadas com o seu velhinho chá de menta e uns carapaus fritos colocados em pires, ficam ali horas a fio a conversar e a negociar, interessante este forma de convivência do povo marroquino.

Nas lojinhas que são uns pequenos cubículos onde vendem tudo e embrulha-se no papel, desde pão que é de boa qualidade às verduras, carne, peixe  os vendedores de todas as  especiarias, pão, fruta, verduras que levam tudo nas carroças e andam pela Medina a vender, o leite também é vendido ao copo no meio da rua, há um cem números de coisas, que nos faz lembrar a pré história isto tudo na Medina, onde existem os muros, dentro dos muros encontramos os labirintos e ruelas, andei por quase todas,  aliás a cidade é muitas vezes denominada “a cidade dos muros”,

O cheiro do Haxixe é algo familiar faz parte da vida daquele povo, os mais jovens procuram sempre uma maneira de tentar arranjar dinheiro através de alguma venda ou troca, a carne é muito cara pelo que a base da alimentação é o peixe, nos  mercados onde o cheiro das verduras convive com o das especiarias  é algo a não perder.

Fiquei alojada numa Riad super simpática  mesmo dentro da Medina o que me deu uma perspetiva  diferente de olhar para toda aquela gente que anda num corropio constante de bicicletas motorizada e carros, homens e mulheres sempre em grande agitação.

Fiz uma pequena excursão a Ourika uma vila perto de Marrakeche, andei nos camelos, uma experiência inexplicável, subir a montanha e ver neve e umas cascatas deslumbrantes, valeu ir a Ourika,  com o orçamento limitado pelo que não pude ir ao deserto, é uma cidade bastante segura, apesar do assédio dos rapazes a minha estadia por lá decorreu com grande normalidade, eles são super simpáticos e aquela impressão que ficamos quando lemos posts sobre os marraquinos é um pouco alterada com a realidade.
 O custo de vida é muito alto, para nós não, mas para o povo que ganha uma miséria é bastante elevado mesmo.

Existem hipermercados mas são apenas frequentados pela classe alta e muitos turistas e residentes franceses.
 Tenho pena que a Medina esteja bastante degradada, não há sinais de recuperação de qualquer edifício, podiam manter tudo como está apenas tentar dar um ar mais cuidado.
 
A praça mais famosa do mundo é algo de mágico, onde o ruido dos batuques e outros instrumentos musicais se misturam com a convivência das pessoas nos bar e souks, toda a gente vende tudo, as quinquilharias, peças lindíssimas de artesanato, tapetes, tecidos de seda lindos é uma mistura de tudo onde se compra de tudo também se quisermos.

O Movimento na praça mais famosa do mundo começa por volta das 16H00 e vai até altas horas da noite em cada cantinho existe algo de novo,  músicos por todo o lado, enfim a alegria dos marroquinos é contagiante.

 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Pic nic

No sábado passado saí de casa com a minha princesa o objetivo era ir ao parque para que ela pudesse brincar, eram 09H30 e eu disse e se fossemos ao supermercado comprar algumas coisinhas para comer e fazer um pequeno almoço de pic nic?

Ela aceitou entramos no supermercado compramos sumos e folhados de queijo e fiambre, uns croissants pequeninos recheados de chocolate e estava pronto o farnel para o mini pic nic, procuramos um sitio simpático onde pudéssemos comer e senta-mo-nos numa mesa que existia no parque e aquela hora estava vazia, comemos o que tínhamos comprado, e ficamos na conversa, numa mesa mais ao fundo estava um senhor sentado com os olhos postos em nós, a Iris com o sentido de observação que tem chamou-me a atenção.
 - Avó aquele senhor está a olhar muito para nós, será que nos vai fazer alguma coisa,?

....olhei na direção do homem e ele continuou a olhar para nós, e nós acabamos por comer mais depressa para nos livrarmos daquele olhar....

Arrumámos tudo e fomos para o parque,

De repente olhei para o sitio onde tínhamos estado sentadas e estava lá o homem...

O que ele queria era apenas a mesa, provavelmente crê que ela já lhe pertence... enfim coisas que acontecem...
Passado mais alguns momentos vejo mais quatro homens a jogar às cartas... entendi que aquelas mesas tem dono e só mesmo pela manhã é que estão vagas porque depois são ocupadas por muitos e muitos homens para jogarem às cartas ou seja é um casino a céu aberto!!

domingo, 17 de julho de 2016

Chapeuzinho Vermelho

 


Era uma vez uma menina que se chamava Chapeuzinho vermelho, brincava muito na floresta
um dia a mãmã disse para ela ir à casa da sua avozinha levar uns doces porque a avó estava doente.

A mãma disse que ela tivesse cuidado ao andar na floresta porque o lobo mau podia fazer- lhe mal, ela disse à mãe para não se preocupar porque ela tinha muitos amiguinhos na floresta e eles não deixavam o lobo mau fazer-lhe mal.

E lá foi para a floresta cantando

Quando chegou à floresta encontrou o lobo mau


Olá chapeuzinho vermelho
para onde vais?
Vou a casa da minha avó,  levar uns docinhos, então o lobo mau esperto  disse à chapeuzinho para ir por um caminho que ele conhecia e ela chegava num instante à casa da avozinha.
Na verdade o caminho indicado pelo lobo era o mais longo e assim ele iria por um caminho mais curto e chegava à casa da avó da chapeuzinho mais depressa do que ela.

A chapeuzinho quando chegou à casa da avó bateu à porta e a avó disse para ela entrar, ela estranhou a voz tão grossa da avó, e ela disse que se tinha constipado, mas não foi isso que aconteceu o lobo mau como chegou primeiro que a chapeuzinho comeu a avó e vestiu a roupa dela e meteu-se na cama.

Entretanto a chapeuzinho percebe que as orelhas da avó estavam muito grandes bem como a boca e o lobo mau responde que era para ouvir melhor e a boca era para lhe comer, a chapeuzinho fugiu imediatamente da casa da avó e entretanto apareceu um lenhador que deu um tiro no lobo e imediatamente abriu a barriga dele e tirou de lá a avó.

E assim a chapeuzinho aprendeu que devia ter seguido o conselho da mãe